quinta-feira, 14 de junho de 2018

A copa vai começar. Que copa?

Os 'jornalões' publicaram recente pesquisa sobre o interesse brasileiro pela Copa do Mundo de Futebol de 2018 que se inicia hoje na Rússia. Segundo os dados expostos 53% dos brasileiros estão ignorando aquilo que um dia já foi unanimidade e que fez o país ser intitulado por Nelson Rodrigues como a pátria de chuteira.
E o que aconteceu com o país para que hoje os brasileiros não se interessem tanto pelo torneio mundial?
Muitas teorias estão sendo colocadas.
Há quem diga que o aumento do casos de corrupção e a manipulação dos símbolos nacionais - camisa da seleção inclusive - pela elite nas manifestações que levaram ao impeachment de Dilma, afastou o povo do interesse pela seleção.
Outros afirmam que cresceu a consciência dos brasileiros em relação aos seus problemas reais e que hoje percebem o futebol como um entretenimento que o aliena.
É possível que estas e outras justificativas, em conjunto ou separadas, possam explicar tamanho desinteresse dos brasileiros.
Mas ainda não vi ninguém se perguntar sobre o que aconteceu com o futebol. Sim com o futebol. Será que não foram as mudanças que aconteceram no futebol brasileiro que fizeram o povo se distanciar da seleção e deste esporte?
Sabemos que o futebol se transformou mundialmente num espetáculo elitizado. Sim, elitizado. Vejamos o caso do Brasil. Por estas terras tupi guarani a ida ao estádio está cada dia mais inacessível ao povo. Ingressos caros são os principais entraves.
Com o passar do tempo deram fim às gerais, que abrigava aqueles que mais amavam o futebol e tem menos poder de compra.
A manipulação midiática também afastou os brasileiros do futebol. Nos canais abertos praticamente apenas dois times tem transmissão garantida aos domingos. Caso seu time não seja um destes, você tem que ter assinatura de canal fechado para vê-lo jogar.
E como nos afastamos da seleção brasileira?
Nós não nos distanciamos, eles que se distanciaram de nós para atender aos interesses do capital. Onde a seleção joga seus amistosos? Inglaterra, Estados Unidos, França, etc, e não contra estas seleções, mas contra outras. Ou seja, as poucas oportunidades de ver a seleção de perto - nos amistosos - deixaram de existir para atender o interesse daqueles que ganham dinheiro com a exibição da canarinho.
Não há dúvida de que o brasileiro mudou, amadureceu. Que estamos mais cientes de nossos problemas e que precisamos primeiro resolvê-los para depois nos divertirmos. Mas o futebol também mudou e se distanciou daqueles que mais o admiram e mais tem prazer em assisti-lo.
Mudando o povo e mudando o futebol, muda também a relação entre ambos. Eis por que esta copa está mais fraca do que caldo de bila, como se diz no sertão do Ceará.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

As fogueiras juninas e das vaidades.

Eis que parte dos habitantes das terras de Antonio Sales se animam nesta data do santo casamenteiro. Não por novos enlaces matrimonias, tão pouco por simpatias na busca ansiosa de um novo amor. Muito menos se animam pela fogueira batismal diante do santo junino. Na verdade há fogueiras sim, acessas há tempos, mas estas são as das vaidades daqueles que duelam pelo poder local. 
Hoje amanhecemos com a mesma disputa mesquinha de sempre. Desta feita envolvendo de um lado o grupo do prefeito afastado pela justiça em dezembro passado e cassado pela câmara por estes dias. Do outro lado o grupo do prefeito empossado em dezembro passado e que hoje resolve tomar nova posse da possessão que já era sua, vai entender.
Enfim, se animam a trocar farpas os grupos com olho no poder e nas benesses pessoais que a vitória pode lhes fornecer.
Alheio a tudo isso, a maioria do povo acorda e vai labutar na sua lida diária. Faz suas fogueiras juninas, realiza seus batismos e suas simpatias amorosas ao calor do fogaréu, sabendo que daquela disputa de vaidades lhes sobra pouca coisa. Infelizmente!!!

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Velho ditado.

Eu adoro os ditos populares porque eles contem a sabedoria prática que se funda nas vivências dos povos e atravessam gerações ensinando aqueles que os escutam e deles sabem tirar os ensinamentos.
Digo isto por me lembra há pouco da frase de um amigo para explicar uma dada situação. Disse-me ele sobre a possibilidade de alguém se contaminar ao caminhar ao lado das pessoas que não aotam conduta ética: "Quem anda com porco só farelo come".
Isso me remeteu a outro dito popular que afirma: "Quem deita com cachorro com pulga levanta".
Ambos remetem a nós a ideia de que é preciso saber com quem se anda. com quem se convive, com quem se alia na nossa caminhada.
Talvez seja um dito que deve ser repetido e apreendido por todos aqueles que fazem da vida pública uma missão. Falo não só dos políticos, mas de todos que buscam fazer da vida em sociedade um espaço de convivência ética.
Por que fazer articulações com pessoas sabidamente antiéticas e corruptas?
Em nome de que se subordinar ou contribuir para um governo/gestão que pratica atos e ações que ferem todos os princípios da administração pública - impessoalidade, eficiência, legalidade, etc?
Eis uma reflexão importante que me foi deixada ontem por um amigo e que compartilho com vocês.
Não seria bom aplicar um outro ditado? "Antes só do que mal acompanhado".

Derrocada dos incompetentes.

Nas sociedades democráticas um governo que não visa o bem público, mas apenas o interesse de um pequeno grupo, tende a se arruinar, cedo ou tarde. Caso este governo seja liderado por um incompetente o processo de derrocada se acelera. Sendo ele incapaz de fazer um bom governo, também é incapaz de manter nas sombras suas atitude anti-éticas e imorais.
A sociedade tolera por um tempo, mas não para sempre a inabilidade política e, principalmente, a incompetência administrativa. Não caindo antes de findo o mandato pela via judicial, tenha certo a exclusão pela via do voto.

domingo, 10 de junho de 2018

Diário da Tarde

Concluo nesta manhã de domingo a leitura do segundo diário de Josué Montello: Diário da Tarde.
Um registro de suas reminiscências que nos insere em parte da política nacional, muito por causa de sua estreita amizade com Juscelino Kubitschek.
Breve inicio a leitura do Diário do Entardecer.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Perguntar não ofende.


    A CPI da câmara de Paracuru que investigou as maracutaias do prefeito afastado e que seu relatório será votado hoje, não achou nenhuma digital de nenhum vereador no meio das enroladas não? Uma digital num ônibus alugado? Uma digital numa van alugada? Numas cédulas dessas que vão de mão em mão? Nada? Só o prefeito e seus filhos estão nessa? Ou como diria o pseudojuiz Sérgio Moro: isso não vem ao caso?

terça-feira, 29 de maio de 2018

Por que Paracuru não consegue avançar?

Olhe, tem muitos motivos e inúmeros fatores que contribuem para fazer com que Paracuru não avance mais rápido em seu desenvolvimento. Fatores interno e externos. E essa postagem não tem intenção de fazer o debate alongado sobre isso. 
Mas um fator eu considero que influi negativamente nesse processo de forma perene. É que a política de Paracuru continua miúda e se enreda nas mesquinharias personalistas e rasas. Raro são aqueles que debatem o desenvolvimento da cidade sobre questões de fato importantes como quais os caminhos para crescer a economia local. Do cidadão pouco instruído aos auto declarados grande sapientes desta cidade tudo gira em torno de questões pessoais e familiares embasadas nos pré-conceitos moralistas de bom e ruim. 
Isso se agrava quando se alia ao pensamento, também pequeno e estreito, das soluções apenas para os problemas do agora, sem mirar no futuro próximo e distante. Ou seja, ficamos discutindo o aqui e agora da cidade sem sequer dá uma olhada, mesmo que de canto de olho, para o futuro que nos interessa.
Penso ser nosso dever elevar o debate para instâncias maiores, para os problemas mais complexos e sobre como queremos ver esta cidade daqui a 20 ou 30 anos, sob a pena de não o fazendo estarmos fadados ao atraso eterno.

Compreender a humanidade.

Volto para indicar aos resistentes leitores deste sítio virtual a leitura destas duas obras do professor isarelense Yuval Noah Harari: Sapiens - uma breve história da humanidade e Homo Deus - uma breve história do amanhã.
O primeiro livro narra o desenvolvimento do homem (Sapiens) da pré-história - quando era um animal como outro qualquer - até os dias atuais - quando se tornou o animal mais poderoso, capaz inclusive de criar outros seres vivos. Neste ínterim, ele narra as principais revoluções que contribuíram para esta supremacia humana, como a revolução cognitiva, a revolução agrícola e a revolução científica.


No segundo livro o professor Harari, apoiado nos principais avanços das diversas ciências neste início de século XXI, faz algumas projeções sobre o futuro da humanidade, sempre alertando que não são profecias, mas possibilidades que já mostram indícios muito fortes nos dias atuais sobre sua realização.


Para quem tem interesse filosófico sobre as velhas perguntas de onde viemos, onde estamos e para onde vamos a leitura destes dois livros é um excelente exercício de reflexão. 

quarta-feira, 28 de março de 2018

O nome do ódio é fascismo - por Joan Edesson de Oliveira

“E Nhô Augusto fechou os olhos, de gastura, porque ele sabia que capiau de testa peluda, com o cabelo quase nos olhos, é uma raça de homem capaz de guardar o passado em casa, em lugar fresco perto do pote, e ir buscar da rua outras raivas pequenas, tudo para ajuntar à massa-mãe do ódio grande, até chegar o dia de tirar vingança.”

João Guimarães Rosa, em A hora e a vez de Augusto Matraga


Mestre João Guimarães sabia de coisas. O que vivemos hoje no Brasil combina perfeitamente com a sua descrição. Setores cada vez mais agressivos babam de ódio enquanto aguardam pelo dia de tirar vingança. Essa vingança só se consumará com a prisão de Lula ou com coisa pior, a julgar pelos ataques recentes contra a sua caravana. A massa-mãe do ódio grande é alimentada diariamente pelas outras raivas pequenas.

Há uma escalada nesse ódio. É como se, nos últimos anos, ele perdesse o pudor, a vergonha. Não é que ele não existisse antes. Esse ódio é antigo. Comparem a fotografia de um homem com um relho na mão açoitando um manifestante e vejam uma das gravuras de Jean-Baptiste Debret do açoite de escravos. As imagens são muito parecidas. O ódio de hoje é descendente direto daquele ódio do passado. Se compararmos as duas imagens, veremos ali a comprovação da afirmação do sociólogo Jessé Souza, de que “o ódio ao pobre é a versão moderna do ódio ao escravo”.

Há uma máquina em funcionamento para alimentar e fomentar esse ódio. Não podemos achar que ele se resume aos que estão nas ruas, seja o agroboy bem-nascido, louro e de olhos azuis, seja o mulato remediado que ignora que aquele ódio se voltará contra ele cedo ou tarde. Por trás desses há uma engrenagem de fabricação do ódio, em grandes conglomerados empresariais, em redações de jornais e emissoras de televisão, em agrupamentos políticos.

Há um ódio desgrenhado, ensandecido, de pedras e paus e relhos na mão, que toma as ruas. E há um ódio comportado, disfarçado, escondido sob ternos bem cortados e habitando em salões requintados. O segundo manipula os cordéis que põem os primeiros em movimento. Mas eles são um só, a sua matriz é a mesma.

O nome do ódio é fascismo, essa é a sua alcunha. Alguns amigos reclamam do uso da palavra. Dizem que assim banalizamos o fascismo, que não é bem isso, que é outra coisa, que não devemos usar o termo em vão. Temem a palavra fascismo. Querem caracterizar o que há como episódios banais de violência, da violência nossa de cada dia, e não como violência política, explicitamente política, com claro lastro ideológico. Agem como os bruxinhos de Hogwarts, que não pronunciavam o nome de Voldemort, achando que assim estariam a salvo das suas maldades.

Mas não há outro nome. O ódio que vimos hoje, essa massa-mãe de ódio grande da qual falava o mestre João, atende por esse nome, responde pelo nome de fascismo. Para quem duvida, recomendo a leitura do texto “O fascismo eterno”, de Umberto Eco, facilmente encontrado em rápida pesquisa na internet. Ali, ele elenca quatorze características do fascismo contemporâneo, afirmando que basta a existência de uma delas para que em seu redor se forme uma “nebulosa fascista”. Leiam o texto e garanto que encontrarão pelo menos metade daquelas características no Brasil de hoje.

Se esse ódio é representação do fascismo, não há outro caminho senão combatê-lo e derrotá-lo. E só podemos derrotá-lo com unidade e luta. Sem a combinação dessas duas variáveis não há como chegar a vitória. Uma grande e ampla frente em defesa da democracia pode barrar o avanço do fascismo. Para isso, é necessário primeiro reconhecer que há uma ameaça fascista, sem tergiversar, sem tentar lhe dar outros nomes.

Ou reconhecemos que há uma ameaça e nos dispomos a construir a unidade para o seu enfrentamento, ou sucumbiremos tal como nhô Augusto frente aos porretes dos cacundeiros do Major Consilva. Os cacundeiros, já vimos, estão nas ruas, com relhos, pedras, porretes e revólveres nas mãos.


Publicado originalmente em: Portal Vermelho

terça-feira, 20 de março de 2018

O Capital no Século XXI


Concluo com imensa satisfação a leitura deste livro sobre a economia mundial e o capital no século XXI.
Recomendo a leitura para todos aqueles que buscam compreender a acumulação de riqueza e a desigualdade durante o período compreendido entreo o século XIX e início do XXI. Alem de conter dados e ensinamentos importantes deste período histórico em relação às grandes economias mundiais, há propostas de debates para o controle do capital no início deste século.
Vale a pena a leitura atenta e paciente desta obra.