quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A grama do jardim do vizinho é mais verde. Será?

Há pessoas que só enxergam beleza no quintal dos outros. No campo da saúde então, nem se fala. Só acha que as coisas funcionam em outros países, outros estados, outros municípios. Aquela coisa do tipo, "Santo de casa não obra milagre", por mais que ele obre.
O nosso Sistema Único de Saúde (SUS), brasileiríssimo, como se diz, o maior plano de saúde do mundo, capaz de fazer de simples consultas a grandes transplantes, passando por serviços de vigilância sanitária e exames de pequena, média e grande complexidade, pois integral; sem perguntar a origem, a raça, o sexo, o nível socioeconômico, pois universal e "gratuito", é sim imperfeito, mas não fica atrás de outros sistemas de saúde no mundo. E principalmente, ele não é um caos que muitos pintam.
A seguir posto comentário, originalmente publicado no rede social facebook, de uma brasileira que mora no Canadá em relação a sua espera para realizar uma consulta com dermatologista.
Pra quem acha que esperar quinze dias para realizar um ultrassom, um mês para realizar uma endoscopia, dois meses para se consultar com uma dermatologista, três meses para se consultar com um neurologista é muito tempo, lê aí o depoimento dela que vive num país desenvolvido.
 
 
"Quem me conhece sabe bem que eu tenho um problema sério de queda de cabelo. Acontece que aqui no Canadá, eu não posso sair ligando pro dermatologista ou qualquer outro médico com a especialização que for, e sair marcando consulta não..., eu tenho que esperar que a minha médica da família (uma espécie de clínico geral) que ela tente cuidar do caso, e caso ela não consiga resolver, e caso ela acredite que eu preciso ver um especialista, vai ser ela quem vai me encaminhar para ver um medico especialista. É uma espécie de triagem, digamos assim. Pois bem, antes de ir para o Hawaii eu fui na minha medica (family doctor) e ela finalmente percebeu que esse problema estava além dela, e ela me avisou que iria finalmente me dar um encaminhamento para ver o dermatologista. Eu não preciso nem dizer que fiquei nas nuvens com essa novidade. E exatos 15 dias depois de saber que ia ser encaminhada para o especialista, eu recebo hoje uma ligação da clinica marcando a data da minha consulta. Como o telefone estava no silencioso, acabou que eu perdi a ligação, mas tudo bem ao contrário daí (Brasil), aqui todo mundo deixa mensagem de voz..., nela a atende me informa que a minha consulta com o " Dr. Fulano" foi marcada e que será no dia 28 de Novembro de 2014 às 11h da manhã. Eu liguei na mesma hora para clínica, pois não dava para acreditar..., eu tava acreditando que tinha existido algum engano com relação a mensagem, afinal hoje são 2/Dez/2013, e por algum motivo talvez ela confundiu e/ou trocou as bolas, afinal semana passada era Novembro. Eis que pra minha "grata" surpresa, a mensagem estava correta e muito bem clara, a minha consulta para ver o dermatologista estava marcada para o dia 28/Nov/2014. Praticamente 01 ano de espera. Até comentei que isso estava parecendo uma piada (daquelas do tipo pegadinha bem sem graça sabe), afinal aonde já se viu esperar 01 ano pra ver um médico? Mas a atendente falou que nada poderia ser feito, e que no final do ano que vem a gente se encontrava".

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Um convite aos manifestantes.

"Eu presto atenção no que eles dizem,
mas eles não dizem nada".
(Engenheiros do Hawaií)



Na última sexta-feira (29/11) a cidade de Paracuru assistiu a uma pequena manifestação, legítima, de populares contra violência.
Ainda que acompanhando à distância pude perceber que essencialmente as pessoas cobravam mais segurança da parte dos poderes públicos. De forma muito genérica. Emotiva até pela recente morte de um instrutor de kite surf.
Mas alguns questionamentos ficaram martelando em mim?
Em primeiro lugar o que precisamos ter para termos mais segurança?
Mais policiais? Só isto?
Será que a caminhada não esqueceu de colocar em xeque questões que são caras à nossa sociedade?
Segundo, por que não estavam eles lá cobrando o combate ao tráfico e ao consumo de drogas? Principalmente do crack. Hoje uma epidemia entre nossos jovens que o empurram para a bandidagem e a violência a fim de garantirem recursos para comprarem a droga?
Por que os cartazes não pediam o fim do "turismo sexual" no nosso país? Aqui também?
Terceiro, como querem acabar com a violência sem combater as injustiças sociais?
Sem acabar com o racismo, a discriminação e a segregação social?
Onde estavam estas questões que são chaves para construirmos uma sociedade de paz?
Por que esqueceram delas? Por que não foram transformadas em faixas ou cartazes?
Então lá vai um convite a todos que estiveram na caminhada e mais cidadãos  que queiram construir uma sociedade de paz:
Que tal darmos as mãos e construirmos uma rede de combate às drogas? Uma rede cuidados das pessoas que usam drogas?
Que tal combatermos a violência contras nossas crianças e adolescentes? Principalmente a violência sexual? O turismo sexual?
Que tal combatermos a venda de bebidas alcóolicas às nossas crianças?
Que tal nos mobilizarmos para combater o racismo e a segregação?
Que tal construirmos em Paracuru uma sociedade una, em que não acha a construção de espaços separados de ricos e pobres?
Vamos agir nesta direção?
Ou vamos ficar só pedindo pela etérea segurança?