terça-feira, 13 de maio de 2014

Um diálogo que merece virar postagem. Viva a democracia.

Nos últimos dias circulou com grande intensidade nas redes sociais um vídeo cujo conteúdo é a entrevista do cantor brasileiro Ney Matogrosso a um programa de uma rede de televisão portuguesa. Essencialmente a pergunta do entrevistador é: como é o Brasil hoje? É o país narrado pelo ex-presidente Lula e a presidente Dilma? Ou é um país diferente?
A partir deste eixo norteador da entrevista o cantor brasileiro faz afirmações extremamente duras que provocou nos opositores do governo petista uma avalanche de apoio. Pelo lado contrário, lógico, a turma do governo fez severas críticas ao Ney Matogrosso.
Claro, também temos nossa opinião sobre o Brasil e a entrevista, o que nos levou a compartilhar via facebook matéria da revista Carta Capital, por compreender que ela se aproximava mais daquilo que acreditamos. Feito o compartilhamento surgiu questionamentos de um internauta identificado com André Stoltz, o que nos levou a um debate franco, claro e respeitoso com opiniões e ideias muito interessantes. Diante disto resolvemos plagiar de forma rudimentar o filósofo Platão em sua obra A República. Nestes escritos são reproduzidos diálogos do filósofo grego com seus amigos, como forma de demonstrar qual era seu pensamento sobre a sociedade de então.
Assim faremos aqui, reproduziremos este diálogo virtual para que os parcos leitores deste sítio virtual possam compreender as ideias debatidas e façam suas reflexões.
Mas antes é interessante que leiam antes a matéria que foi o mote para o debate acessando AQUI.
 

DIÁLOGO
 

André Stolz Na minha opinião, não tem nada de ódio nesse vídeo, o que tem mesmo é um cidadão e artista bastante COERENTE e INSATISFEITO com a administração pública, e do outro lado um entrevistador despreparado em realizar boas perguntas por ter uma visão totalmente distorcida de um país que ele claramente desconhece - o Brasil - pois baseia-se em falácias do já ultrapassado e corrupto governo Lula.
Aliás, pra conhecer o Brasil de verdade basta andar por aí ao invés de ficar lendo estatísticas de base de dados do governo ou mídias X ou Y.
Apesar do Ney ter errado na obrigação da mãe beneficiada pelo bolsa família em matricular os filhos na escola, ele falou muito bem o que qualquer político (pseudo-esquerdista) esconde e diz que é "coisa da direita", oposição, falta de conhecimento e etc.... Ou seja, se você critica o Governo atual você automaticamente será descreditado, não havendo mais espaço para o diálogo saudável em busca de melhorias.
Sendo que a democracia, de fato, é justo o contrário.
 
Anderson Silva Sousa Ao assistir o vídeo é possível ver o desconforto do entrevistador com as frases inacabadas do entrevistado e com a falta de argumento do mesmo para sustentar afirmações duras. Se percebe claramente a falta de conhecimento dele sobre a realidade brasileira. Suas afirmações são superficiais. Típico de quem passou o olhar nas manchetes da revista Veja. Em alguns momentos ele mesmo se faz perguntas sobre cenários que ele supõe, mas não sabe se é real. Quanto ao posicionamento do entrevistador, ele perguntou como estava o Brasil? Perguntou se as afirmações do presidente Lula eram reais, quanto ao desenvolvimento do país. E como medir este desenvolvimento? Com dados estatísticos, lógico. O governo tirou milhares de pessoas da miséria. Elevou outros tantos milhões da pobreza para a classe média? Os dados não são apenas da base de dados do governo (IBGE, IPEA), mas de outros institutos de pesquisa como a Fundação Getúlio Vargas. Acabou com a miséria e com a pobreza? NÃO. Então, ao "andar por aí" ainda vamos encontrar pessoas passando fome, pobres e miseráveis. Mas isto não apaga o esforço de elevar a renda da população. Vamos à saúde pública. Ela ainda é ruim. Sem dúvida. Mas ela é bem melhor do que a doze anos atrás. Basta comparar o número de equipes de saúde da família existiam e quantos existem atualmente. Saúde Bucal? Quase inexistente no setor público a uma década atrás. Hoje com equipes de saúde bucal espalhadas por todo o país. E mais. Centros de Especialidades Odontológicas realizando procedimentos antes só acessíveis aos mais ricos, como a colocação de aparelhos ortodônticos. Olhemos para os transplantes. O Brasil todo ano bate recorde de realização de transplantes. Então a coisa não tá melhor?
Anderson Silva Sousa Quanto a democracia. As pessoas podem ficar a vontade para dar as opiniões, realizar a crítica, propor ideias. É assim que um governo que criou diversos conselhos setoriais das políticas públicas tem feito. Criar mecanismos para debater as ideias e construir consensos. Para tanto é preciso que todos os envolvidos se dispam de certos preconceitos. Bem como é necessário avaliar os avanços e buscar correções para os entraves. Aí sim estaremos construindo uma agenda de desenvolvimento nacional. A crítica pela crítica como a feita pelo entrevistado não ajuda. Aquela coisa de que nada presta, o mundo tem que começa do zero, não adianta. É preciso opinar contextualizando de forma histórica e social os fatos, os dados, as opiniões. Retomo o pensamento, estamos no país das maravilhas? NÃO. Tem muita coisa que precisa melhorar? SIM. Há corrupção no país? SIM. É preciso mudar os políticos? SIM. Isto resolve? NÃO. Pois se não muda as regras, ou seja, o sistema político, não mudaremos as coisas. Este é o motivo porque a imensa maioria dos políticos, principalmente os corruptos, não querem a reforma política. Sai o "ladrão" e entra o filho do "ladrão". Ou pior, continua o "ladrão" e entra a esposa do "ladrão", o irmão do "ladrão" e o filho do "ladrão". O que podemos fazer pra mudar? Participar. Se informar mais. Debater mais. As manifestações devem acontecer? Sem dúvida. Mas só isto não basta. De que adianta eu ir para as ruas protesta contra a corrupção e não querer mudar o sistema que induz a corrupção? É para tirar a Dilma? E depois colocar um corrupto lá? Ou um não corrupto, mas que será pressionado até se corromper? E a corrupção só está na política? Na compra de votos o corrupto é só quem compra o voto? E quem vende é um "pobre inocente"? Vivenciei a experiência de disputar um cargo eletivo, e inúmeras vezes, repare, INÚMERAS, fui assediado por pessoas querendo dinheiro em troca de voto. Pedindo que eu pagasse prestação de moto, licenciamento de moto, etc, para votar em mim. E assim foi com inúmeros outros candidatos. Então só quem se mete em política partidária é corrupto? É preciso ter cuidado com certas afirmações. Mas como mudar tudo isso? Como transformar esta sociedade individualista, egoísta, machista, preconceituosa? A responsabilidade é só dos governantes? Também é. Mas e nossa cota de responsabilidade? Ah, mas num país de primeiro mundo as coisas são melhores. Será? E por que o índice tão alto de desemprego, por lá?. E por que num país como os Estados Unidos milhões não tem acesso a um sistema de saúde? E lá não tem corrupção? Não tem roubo? E o que foi a "quebradeira" econômica da Europa? E o que foi a bolha imobiliária dos Estados Unidos? Ah, mas lá as pessoas vão presas? E aqui não? A justiça daqui é corrupta? E lá não? Vale lembrar, aqui, só pra contextualizar, que a riqueza dos países de primeiro mundo foram acumuladas a partir da exploração dos países subdesenvolvidos, por séculos. Algumas vezes com apoio de um elite destes países. Aqui no Brasil inclusive. Nós fomos por anos explorados e "roubados" pelos países ditos de primeiro mundo. Ou nos tiravam nossas riquezas naturais, ou exploravam e exploram nossa força de trabalho. Aí vamos ficar batendo palma e adotando como padrão estético, cultural e de desenvolvimento nossos exploradores? Copiar modelos de desenvolvimentos de outros países, sejam capitalistas ou socialistas, e pregá-los como únicos ou corretos, não nos serve, pois nega nossa cultura e nossa história. Precisamos construir nosso país a partir de nossa base social e cultural. É claro que experiências exitosas podem nos servir de guia e é preciso apreendê-las. Mas que tal discutirmos nosso desenvolvimento econômico e social a partir do nosso acumulo de experiência? A democracia é este debate. E vamos a ele.
 
André Stolz Complicado, acaba-se por virar um cabo de guerra. Concordo que o Ney não tenha competência para definir com exatidão o cenário da política e que a realidade descrita por ele talvez não seja nem a sua própria realidade de vida (do próprio Ney). Mas dizer que o que ele diz não é verdade vendo o País esculhambado por improbidades, é mantê-lo lá aonde vos dizem estar, na ignorância. Se na opinião dele NADA presta no país (de um modo generalizado), quem será que pode contradizê-lo? Será que o Sr. talvez possa dizer qual SETOR OU EMPRESA pública do PAÍS podemos citar como exemplo de excelência para que o Ney e o mundo talvez comece a pensar diferente? Afinal, no que nos tornamos bons ao longo de nossa história?
Porque boas pessoas, boas iniciativas e bons frutos existiram , existem e sempre existirão isoladamente na política e em tudo mais, sem dúvida. E isso quem nos prova é a nossa própria cultura, onde até cito o mais "nefasto" período que foi a ditadura de anos atrás, a qual serve-nos com exemplos salutares, como a industrialização do país na época, a construção de estradas, hidrelétricas e etc... Mas entendamos que isso analisando isoladamente alguns dados ou iniciativas, pois generalizando sabemos que a ditadura como um todo não serve de exemplo para muita coisa que não a falta de capacidade, em tempos modernos chamada de improbidade. Para não citar os crimes.
Saibamos distinguir bem o cidadão (povo) do político, pois o primeiro não subiu em nenhum palanque dizendo-se totalmente capaz e prometendo mudar realidades sociais (com as ferramentas ideais para tal após eleito), assim como não vive de privilégios públicos, e sim de esmolas, sejam educacionais, financeiras, de saúde, de locomoção, de liberdade, de trabalho e de TUDO o que a CONSTITUIÇÃO à eles reserva por direito. Tanto que se comparadas, as realidades do corruptor e do corrompido (no caso do voto) são tão desiguais que nos causam vergonha e arrependimento instantâneo. Se o ponto de vista é de que o corruptor e o corrompido possuem parcelas de culpas semelhantes por estar onde estamos, o socialismo é a única solução mesmo, pois se um tiver a mesma condição financeira do outro, o que terá ele para oferecer?
Ainda, se o Sr. foi candidato recentemente, foi sabendo que a disputa cambava pro lado financeiro - ou foi enganado. Deveria saber que ou comprava os votos ou muito provavelmente não se elegeria, ao contrário do povo que muitas vezes não sabe nem porquê vende o voto, basta ver o quão barato ele é: uma simples parcela, tijolos, 50 conto, tanto faz. Eu particularmente não conheço ninguém que vendeu o seu voto por milhões. Assim como não vemos políticos que se corromperam por míseros 50 reais. Diferentes situações e pesos.
Outra coisa que acontece (e muito por aqui) é o nivelamento da eficiência por BAIXO, onde o governo (seja lá qual a época) se julga eficaz por estar sendo superior ao governo anterior (isso se o anterior for de outro partido ou grupo, porque se for do mesmo será a gloriosa continuação de um trabalho eficaz). Mas na verdade é o mínimo necessário para um governo não ser tachado como incompetente, aqui ou onde for, e assim mantem-se os níveis baixos. Nivele ALTO por aqui e verá.
Existem nações no mundo que nivelam alguns de seus serviços públicos por alto e são altamente competentes na prestação dos mesmos. Devemos sim buscar exemplos positivos fora de nosso país, principalmente quando a comparação das realidades enche-nos de vergonha. Porque não aprender política com a Noruega, tecnologia com o Japão e economia com os Estados Unidos.
Não é uma questão de querermos ser iguais ou abandonar nossas raízes, e sim de aprender com eles aquilo que eles se tornaram exemplo, ou seja, evoluir - fazer melhor logicamente - respeitando-se em primeiro lugar. Se alguém se tornou exemplar à custa da exploração do subdesenvolvido, que diferença faz pra quem quer apenas ser excelente? Basta não seguir exemplos negativos ou exploratórios e pagar do seu próprio bolso para chegar lá, o que no caso do Brasil é bem viável, pois na realidade, pagamos fortunas para termos tão pouco.
Quanto tempo levará até acumularmos experiência própria para cumprir com o que é melhor para todos nesse mar de incapacidade, de todos os lados?
Sem educação de qualidade para o povo e sem intervenções radicais no MODO como está sendo praticada a administração do país, provavelmente levará a ETERNIDADE, pois sem elas parece que estamos no país das Maravilhas, literalmente, eu, você, o Ney e todos mais. Pode apostar que se mudarmos isso, o resto vai naturalmente encontrando um melhor caminho e não apenas melhores números.
 
Anderson Silva Sousa Não tem cabo de guerra não. Apenas pessoas expondo suas ideias, ora se aproximando, ora se distanciando de um consenso, o que faz parte da democracia. Viva a democracia.
Anderson Silva Sousa Mas voltando ao vídeo. Se o entrevistado não chega a conhecer realidade brasileira por completo, ele não poderia se colocar como porta voz da sociedade, como quer fazer crer em determinado ponto da entrevista.
 
Joao Marcelo Nogueira Martins Eu ando estado todo, conheço quase todas as cidades do Ceará e a realidade que vejo não e essa. Vou dar um exemplo 2013 foi uma das maiores secas de todos os tempos. Não tivemos uma unica cidade invadida. Isso prova duas coisas; primeiro não existe mais miseráveis no nordeste. Isso não e pouco à 15 anos vinte anos atras com qualquer estiagem o povo faminto invadiam as cidades. Querem criticar o governo da Dilma critique porque os juros são altos, porque não fez a reforma politica, a reforma urbana. Mais criticar porque acabou com a fome. E uma critica elitista ou de quem no minimo ouviu o galo cantar e não sabe aonde.
 
Anderson Silva Sousa Agora quanto ao que dizes, alguns pontos eu gostaria poder discordar. Primeiro a análise que propus fazer não foi sobre políticos ou momentos isolados da política. A proposta era contextualizar cada ponto da discussão. Por exemplo, você fala do período da ditadura militar com avanços econômicos. Talvez se referindo àquilo que ficou conhecido como milagre econômico. Ainda que eu discorde de você neste ponto, pois este dito milagre nos custou, e ainda hoje nos custa muito caro, tomemos isto como "ponto positivo". No entanto, a sociedade compreendeu que viver sobre a repressão era um preço muito alto para se pagar por este desenvolvimento, ou, para usar um termo mais correto, este crescimento econômico. Daí foi as ruas, por entender que era possível desenvolver o país em condições democráticas. Então precisamos sim compreender qual o legado negativo ou positivo os períodos históricos deixaram, para não cairmos nos extremismos e para embasar nossas decisões presentes e futuras. Quanto a diferenciação entre o homem comum, digamos assim, e o homem público, concordo que precisa ser feita, mas precisamos aproximar estes dois homens, ou os mundos destes dois homens. Vale lembrar que o homem comum delega ao homem público o poder de decisão sobre pontos relevantes de sua vida, portanto, deve acompanhar de perto o que este faz com o poder a ele delegado. E precisamos, volto a dizer, mudar as regras do jogo político, precisamos da reforma política, para não beneficiar aqueles que compram voto. Aqui gostaria de fazer um parêntese para falar da minha experiência como candidato. Não fui candidato de forma ingênua. Sabia da batalha árdua que seria enfrentar o poderio financeiro da compra de votos, mas acreditava que pudesse "pinçar", digamos assim, um número considerável de seres pensantes e independentes para conseguir me eleger. Infelizmente não deu certo. Ou porque não fui capaz de convencer estes homens e mulheres. Ou porque eles são poucos mesmo na nossa sociedade, para não dizer raros. Ainda sobre a campanha, gostaria de dizer que aqueles que assediam os candidatos podem até vender o voto por pouco, mas não são pobres não. Vi muita gente com situação financeira considerável fazer este tipo de negociata. Mas retomando as discordâncias de ideias. Nós que trabalhamos no serviço público há muito tempo temo notado que o nivelamento da eficiência do serviço público não tem sido por baixo não. A meta é sempre superior o antecessor sim, até porque cresce o desejo das pessoas por serviços públicos de qualidade, justamente pela elevação do patamar de vida dos brasileiros. Se antes não se tinha acesso à merenda escolar por exemplo, hoje que tem, as pessoas querem ela com qualidade. Se antes era uma sorte encontrar um médico num município, hoje queremos que ele atenda bem as pessoas. Se antes não tínhamos dentista nem para extrair um dente, ou se só tinha para extrair, hoje as pessoas quem para fazer um canal, colocar um aparelho ortodôntico. Então, o nivelamento não tem sido feito por baixo, porque as cobranças da população, ainda que não bem direcionadas, tem sido para que os serviços públicos melhorem. Por fim, concordo com você que precisamos apreender as experiências exitosas de outros países e adaptá-las à nossa realidade, era isto que havia dito no comentário anterior. No entanto, não vejo os Estados Unidos como exemplo de economia. Pois na verdade eles são péssimo em economia. Eles são bons mesmo é em explorar os povos de outras nações. Ou através da extorsão financeira, ou na base das armas. E aí eu discordo que um país para manter suas regalias ou bem viver de seus habitantes, deva explorar até à morte, em alguns casos, outros países. Ou você acha que toda a guerra no Oriente Médio, promovida ou apoiada pelos americanos, não é outras coisa senão o interesse pelo petróleo e pela manutenção da indústria bélica americana? Por que os Estados Unidos se incomodam tanto com um país tão pequeno como a Venezuela e constantemente tenta promover um golpe de estado? Lá tem uma coisa muito importante para o mundo moderno: PETROLEO. Nós que tomemos cuidado, pois seremos os próximos.
 
André Stolz Muito bem colocado também Sr. Anderson, inclusive agradeço muito o diálogo e acredito que estamos ambos colaborando bastante para conosco e nossos amigos na questão de nos aprimoramos cada vez mais na questão social, mesmo que fugindo um pouco do habitual do face. Abraço!
 
Anderson Silva Sousa Um diálogo claro de pessoas que querem contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Não uma discussão de esquina pra dizer que o fulano é melhor que sicrano. Há um texto que circula pela internet que diz que os ignorantes discutem pessoas, os sábios discutem ideias. Não quero ser sábio, ou mais sábio que ninguém. Mas creio que se a intenção é construir uma sociedade melhor não podemos ficar naquela de disputar se um é melhor que o outro, simplesmente. Ou se um rouba menos que o outro. Ou se um rouba mais faz. Tudo isto só nos levará à mesmice. Temos que discutir quais as ideias e as ações podem ser colocadas em prática para mudar nossa realidade. Quanto a quem vai fazê-las, pode ser qualquer um, desde que comprometidos com as ideias. E lógico, com participação de todos. Nos momentos de decisão, execução e avaliação. Por fim, crendo que este diálogo foi muito produtivo, gostaria de pedir autorização à vocês, André Stolz, e Joao Marcelo Nogueira Martins, para publicar todo este diálogo no meu blog: Blog do Anderson Sousa, para que mais pessoas possam tomar conhecimento destas ideias e possam discuti-las, pois conheço pessoas que acessam o blog, mas não acessam o face. O que me dizem?
 
 
Jose Dias Parabens André Stolz, Anderson Silva Sousa e Joao Marcelo Nogueira Martins. Todos ficamos ganhando com este diálogo, e a democracia mais enriquecida. Parabens amigos.
 
André Stolz À vontade...

domingo, 4 de maio de 2014

Chegamos até aqui... Iremos mais à frente...

Não há dúvidas que as mudanças nas sociedades não se processam do dia para noite. Exceto em momentos de revolução, nos quais é possível fazer uma ruptura abrupta de um estado dominante em busca de uma nova configuração social.
Mas fazer revolução dentro dos marcos ou das regras que asseguram o estado dominante é impossível. Noberto Bobbio, filósofo italiano, em seu livro O futuro da Democracia traz uma análise interessante neste sentido, vale a pena a leitura.
Para o filósofo os resultados das eleições mudam os atores, mas não mudam as regras do jogo, isto implica que as ações do eleito serão limitadas/controladas por um conjunto de regras já definidas e que o limitaram nas mudanças que busca alcançar.
No outro ponto, também é possível constatar que mudar governos nem sempre significa mudar poderes, principalmente porque certos poderes se dão em um nível ou em espaços diferentes do político-governamental. Ou seja, forças políticas podem continuar a exercer influência em governos distintos, em momentos históricos diferentes.
É muito comum percebermos na política a permanência de "figuras" públicas em governos distintos exercendo influência, algumas vezes perniciosas. Dentre outra coisas, isto acontece, porque aqueles que deveriam influenciar mais fortemente na governabilidade de um gestor, que são os cidadãos, abdicam de suas funções de acompanhar os eleitos, por diversos motivos, que podemos discutir noutro momento.
Este espaço abdicado pelo cidadão passa a ser ocupado então por aqueles que fazem da política seu ganha pão. Aqueles que procuram na política, não um meio de melhorar a sociedade, mas tão somente se beneficiar de forma privada do poder público.
Este cenário é que precisa ser mudado. É preciso que o cidadão compreenda que sua obrigação com a sociedade vai muito além da eleição, da escolha do representante. O cidadão precisa compreender que ele deve diariamente se envolver com as questões públicas. Compreender que os principais temas, vou mais além, todos os temas que dizem respeito à sociedade precisam ser tratados de forma pública e que sua participação é importante.
Por outro caminho, é preciso afastar da vida pública aqueles que buscam atender apenas seus interesses privados junto ao poder público.
Não é possível que em momentos de mudanças, ainda que elas sejam lentas, nós possamos permitir que sujeitos perniciosos ao conjunto da sociedade permaneçam exercendo influência negativa e contrária aos interesses coletivos.
Precisamos aproveitar as "brechas" dadas pela regras do jogo, ou pelos atores que executam estas regras, para fazermos as transformações e tentarmos realiza-las de fato.
Se vamos realmente construir novos momentos políticos e históricos, não há espaço para práticas arcaicas, nem para seus praticantes. É preciso construir novas regras. Caso contrário estaremos mudando apenas os atores. 
Ainda que saibamos que estamos num processo onde o novo precisa conviver com o velho, que está se deteriorando, não podemos aceitar que o velho possa se fortalecer e suplantar prematuramente o novo.
Nossa luta é para que uma nova sociedade surja. É uma luta dura, árdua, incessante mas estaremos nos apoiando no pensamento de Rosa Luxemburgo: "há todo um velho mundo ainda por destruir e todo um novo mundo a construir. Mas nós conseguiremos, jovens amigos, não é verdade?"
Respondo a ela:
CONSEGUIREMOS!