terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Burrice? Preguiça? Não. Mas fé mesmo.

Não sei se o cara é burro ou preguiçoso. Para querer comparar Paracuru com São Gonçalo do Amarante.
Burro por não perceber que o município vizinho, em virtude da instalação do Complexo Industrial e Portuário do Pecém - que se processa há mais de uma década - em seu território, tem uma arrecadação financeira só comparável proporcionalmente aos grandes municípios e capitais.
O orçamento de lá saltou cerca de 60 milhões entre 2013 e 2014. Aproximadamente 50% de aumento. Lembrando que pela estimativa do IBGE lá moram cerca de 48 mil pessoas.
Para 2014 a arrecadação de São Gonçalo foi  de cerca de 193 milhões de reais.
Já a de Paracuru 65 milhões para uma população de 33 mil habitantes.
Ou seja.
O município vizinho tem o triplo da arrecadação para uma população apenas 50% maior que a nossa.
Aí o cara quer fazer comparações das gestões municipais?
Vamos fazer uma analogia com números mais palpáveis.
É como comparar duas famílias. A primeira com quatro membros que ganha mil reais. Portanto, cada um pode receber R$ 250. A segunda com seis membros que ganha tres mil reais. Portanto, cada um pode receber R$ 500. Ou seja, o dobro. E aí você vai querer que ambas façam as mesmas compras e investimentos?
Não precisa desenhar né?? Qualquer pessoa minimamente inteligente afirmará que não dá pra comparar as duas situações.
Seria ele preguiçoso por não procurar estes dados, nem tão difíceis de achar?
Na verdade acho que ele não é burro, afinal é muito estudado. Nem preguiçoso, pois parece trabalhar muito. No final das contas acho que ele tem é má fé mesmo. Má intenção em querer confundir as pessoas menos atentas. Querendo fazer crer que porque somos municípios vizinhos deveríamos ter o mesmo crescimento.
Por isso que escrevi este texto. Para mostrar o que alguns querem ocultar e esclarecer os que desconhecem os dados.

P.S. Mas o debate é mais amplo porque envolve inúmeros impactos e certamente não pode se esgotar aqui. Este breve texto é só de esclarecimento mesmo.

Manifesto à Nação.

Segue abaixo o manifesto do Partido Comunista do Brasil sobre o atual momento político.
 
Nosso país vive dias nos quais se decide o futuro da próxima geração. Com o pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, pôs-se em marcha um golpe de Estado.

É uma situação de emergência.

Esse impeachment é golpe, não tem base legal, é um atentado ao Estado Democrático de Direito. A presidenta Dilma não cometeu nenhum crime de responsabilidade. É honrada, íntegra. Deve cumprir o mandato que 54 milhões de votos lhe deram e tratar de arrancar o Brasil o quanto antes das unhas da crise econômica.

O golpe é contra o Brasil, o povo e a democracia. Estão em jogo as conquistas de três décadas, desde que derrubamos a ditadura.

Em dias assim, cada brasileira e cada brasileiro estão chamados a cumprir seu dever, a se erguer, levantar sua voz. Cada um precisa dar a sua ajuda para rechaçar o golpe, defender a Constituição, salvar a democracia, para que o Brasil supere a crise econômica, volte a crescer, avance nas conquistas, não retroceda.

Dias assim valem por anos.

O PCdoB concita nosso povo às ruas, à luta, numa campanha nacional contra a trama golpista. Este Manifesto é um apelo à ação, sem demora, sem descanso, sem vacilação.

É hora de união, de inclusão, de uma frente ampla democrática suprapartidária. O confronto não é entre apoiadores e críticos do governo Dilma, mas entre democratas e golpistas. Todos os que resistem ao golpe são nossos aliados neste momento crucial. E há ainda a missão de persuadir, com fatos e argumentos, a parcela hoje enganada pela onda midiática golpista.

É hora da mobilização das forças progressistas, dos partidos de esquerda, das centrais sindicais, das entidades dos estudantes universitários e secundaristas, das mulheres, da Frente Brasil Popular, da Frente Povo Sem Medo, de toda a constelação de movimentos sociais. Das manifestações de rua, grandes e pequenas, da rede da legalidade Golpe Nunca Mais, do diálogo convincente nas redes sociais, da inteligência, coragem, criatividade, talento. Todos pela democracia! Hora de exercer enérgica pressão sobre cada deputado, cada deputada, já que é na Câmara que a contenda terá seu desfecho.

* * *

Defrontamo-nos com um golpe sorrateiro, sem tanques nas ruas que, se consumado, levará o país ao retrocesso.

É um golpe hipócrita por sua motivação imediata: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aceitou o pedido de impeachment buscando escapar da cassação pelos crimes de que é acusado: contas secretas na Suíça, propinas, chantagens, achaques, mentiras. Seria cômico, se não fosse trágico: um personagem desses travestir-se de moralizador.

É retrocesso pelas forças que o impulsionam – em aberto conluio com Cunha. Estas incluem a oposição conservadora, como o PSDB de Aécio Neves, setores da grande mídia, parcelas das classes dominantes, segmentos do aparato jurídico-policial, as viúvas da ditadura. Em suma, as mesmíssimas forças que o povo derrotou nas urnas de 2002, 2006, 2010 e 2014 querem agora voltar no tapetão.

Essa gente quer voltar para impor um programa ultraliberal. Seu plano gera, desde já, mais recessão e desemprego por prolongar a paralisia derivada da crise política. Mas desdobram-se, nas “medidas dolorosas” – palavras do golpista Aécio –, ainda mais recessão, mais demissões, corte de conquistas e direitos. Seria o fim da lei do reajuste do salário-mínimo. A volta dos capachos do FMI, dos adeptos da reforma da Previdência às custas dos aposentados, da terceirização e da “flexibilização” da CLT, dos adversários do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida, do Prouni e outros programas dos governos Lula-Dilma que tiraram 40 milhões da pobreza extrema. O retorno dos inimigos do regime de partilha no Pré-sal que destina recursos à educação e à saúde.

* * *

A trama em marcha cinde o país em dois campos – os democratas e os golpistas. Não há meio termo.

Chamamos todas as siglas da base do governo, os demais partidos com sensibilidade democrática, os movimentos sociais e entidades da sociedade civil, cada cidadã e cada cidadão, a erguerem também a bandeira democrática do Brasil sem golpe.

O PCdoB está convicto de que, com unidade ampla e o povo na rua, a democracia vencerá. O golpe será rechaçado!

São Paulo, 8 dezembro de 2015
O Comitê Central do PCdoB – Partido Comunista do Brasil

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Carta aberta ao Alex Santiago

Caro Alex,
fiquei estes dias refletindo sobre o momento que vivemos em Brasília por uma questão de acaso do destino - assim penso.
Ontem, ao contar para um médico amigo sobre estes dias que estivemos lá ele me cumprimentou com entusiasmo e disse: "camarada, você viveu um momento histórico do país. Faz parte da história de luta de um povo".
O que você acha camarada?
Eu acho que ele tem razão.
Estávamos lá na capital federal no dia em que o presidente da Câmara - não vale a pena citar o nome dele para que seja esquecido - resolveu por vingança e ódio aceitar o pedido de impedimento da nossa presidenta.
Você, como embaixador, se assim posso dizer, da Companhia de Dança, participando de um evento do Ministério da Cultura, batalhando por mais atenção para um setor tão desvalorizado e elevando o nome da sua instituição e da nossa cidade.
Eu, como convidado do Conselho Estadual de Saúde, participando pela segunda vez de uma conferência nacional de saúde debatendo os temas macros da política sanitária brasileira com milhares de militantes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ou seja, estávamos, ambos, em espaços de discussão dos grandes temas da área de cada um, quando fomos, como todos os brasileiros surpreendidos com o ato do presidente da câmara federal.
Um dia antes, entre alguns goles - para desespero dos que querem saber como fomos para  lá - discutíamos sobre a necessidade de politizar o debate do campo da cultura em nível local. Devo dizer que fiquei bastante feliz com a concepção que você tem hoje sobre a relação da política com a cultura. A visão que tens de que é preciso debate político para ampliar as ações e, principalmente, o financiamento da cultura.
Pois bem, eis que no dia seguinte surgiu esta surpresa desagradável.
No outro dia, estava eu lá no Centro de Convenções num grupo de debates quando me chamas para participar do ato que ora acontecia no mesmo local em defesa da democracia e do mandato da presidenta Dilma.
Foi belo e reconfortante ver os movimentos sociais e populares dizer não à chantagem do presidente da câmara e sim a manutenção da democracia.
Também foi belo você se dispor a subir no trio e realizar um discurso curto, mas firme, representando o grupo de fazedores da cultura que lá estavam.
Lembro que disseste em defesa deste governo que foi de Lula a Dilma, como presidentes, e de Gilberto Gil a Juca Ferreira, o melhor momento de investimento financeiro na área da cultura. Permitindo que se fortalecesse, apesar de todas as dificuldades, as políticas de cultura. Inclusive nos recantos mais distantes, como a pequena cidade do litoral oeste do Ceará, chamada Paracuru.
E aí, no dia seguinte recebo de você a informação sobre algumas pessoas daqui de Paracuru nos criticando de forma agressiva e acintosa, duvidando da nossa honestidade e algo mais.
Pois é meu caro, acho que na nossa conversa lá em Brasília esqueci de lhe dizer que na política, como na nossa vida, existem estes tipos de pessoas. Que não fazem, não constroem, mas são ótimos para falar tolices. Até mesmo aqueles que são mais "estudados" tem este "defeito de fábrica". Até porque respeito e educação, nem sempre se ensina num mestrado, doutorado ou pós-doutorado, não é mesmo?
Mas, me permita corrigir a falha e lhe avisar: existem inúmeros destes tipos nocivos por ai. Alguns até conseguem ser presidente da câmara federal, como pudemos tristemente constatar.
E quero também lhe dizer que não podemos nos recusar a enfrenta-los. Na verdade é nossa principal tarefa se queremos construir um mundo melhor. Os bons não podem se furtar do debate por causa destes seres nocivos. Eles algumas vezes servem até como combustível para a nossa força e nossa vontade de lutar diariamente.
Para encerrar meu camarada, volto a dizer que fiquei muito feliz pelas nossas conversas, pelas suas ações e por ter a certeza que aqui se produz no campo da cultura além de artistas, cidadãos que compreendem sua posição no mundo e seu papel de transformação.
Parabéns mais uma vez.