quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Sobre carnaval e paredões...

Antes de tudo quero deixar claro que particularmente não gosto deste tipo de diversão, assim como não a considero saudável...
Mas deixemos meu gosto de lado e tentemos tratar objetivamente sobre o tema...
Assim como no caso do modelo de carnaval a ser adotado em Paracuru a questão dos paredões tem muitas nuances que precisam ser consideradas.
1. Não é de hoje que este tipo de "curtição" de música tem se tornado preferência entre os jovens cearenses... Em Paracuru, me recordo, já houve anos bem piores em relação a invasão de paredões. Principalmente no período em que predominou o "Lual" nas terras de Antônio Sales. Lembrar que foi a partir desta gestão municipal que o "Lual' passou a ser combatido até seu desaparecimento.
2. Este tipo de "curtição' criou um mercado econômico forte justamente porque se tornou preferência entre os jovens.
3. Não há dúvidas que sons automotivos - sejam paredões ou não - quando usados em volume alto causam transtornos alheios grandes e nos coloca na situação do limiar onde começa a liberdade de um e termina a do outro.
4. Todos sabemos que o poder executivo atual enviou projeto de lei que busca regulamentar o uso dos paredões. Vejam bem, regulamentar, não proibir.
5. Fazer cumprir a lei é uma segunda etapa que envolve diversos órgãos como secretaria de meio ambiente, guarda municipal, polícia e poder judiciário. Preferencialmente trabalhando de forma integrada. A comunidade também pode contribuir.
6. A câmara que aprovou a lei também pode revê-la tornando-a mais rigorosa. Antes poderia bem fazer uma audiência pública para tratar do tema, permitindo a audição das mais diversas opiniões.
7. Regulamentar melhor a lei criando horários e espaços para o uso deste tipo de som seria uma saída? Agradaria a gregos e troianos?
8. Simplesmente impedir que eles existam? Aprender e destruir o som? São estas as opções?
9. Este tipo de curtição só agrada ao público de fora da cidade? Nossos jovens não curtem os paredões?
Estas questões e algumas outras mais precisam permear um debate franco e isento de provocações politica-eleitoral.
Um debate claro entre os poderes públicos e a sociedade para que se equacione esta questão entre sons automotivos e o sossego alheio.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Carnaval acabou...

 A quarta-feira se cinzas nos traz, além da ressaca, o início de fato do ano de 2016...
Cada um que promove carnaval ao chegar a quarta passa a refletir sobre o que deu certo e o que não deu certo na festa momina.
Tenho lido e ouvido opiniões diversas sobre o carnaval de Paracuru. Muitas eivadas de boas intenções e vontade de contribuir para o aprimoramento do evento, outras nem tanto, tendo apenas como pano de fundo a disputa politica-eleitoral.
Alguns pontos merecem reflexão e vou tentar fazê-la ciente de minha condição de co-gestor municipal, o que me dá o privilégio de alguns dados e informações, por um lado, e me compromete intensamente por outro.
Quando organiza-se um evento de massa algumas questões precisam ser colocadas em pauta. Organizadas com antecedência e avaliadas posteriormente. São elas:
1. As atrações/modelo de diversão
2. A segurança
3. O trânsito
4. O atendimento médico-hospitalar
5. A economia
6. A limpeza pública
Vamos iniciar nesta primeira postagem tratando das atrações e do modelo adotado em Paracuru.
Tenho visto muitas críticas principalmente no sentido de afirmar uma falta de identidade da cidade na realização do carnaval. Sem dúvida nenhuma esse modelo de diversão carnavalesca não foi criado ontem e nem é exclusivo de Paracuru...
As festa públicas nas praças mescladas com o famoso mela mela é parte sim da cultura do povo cearense, alguns gostem ou não. É o que predomina na maioria dos municípios, principalmente do litoral. É um modo de expressar a euforia e alegria do povo, principalmente aqueles mais excluídos.
Questionar o modelo é válido, mas o que tenho visto nas discussões são dois cenários. Primeiro um conflito de gerações - bastante natural - no debate. Alguns, já com idade um pouco avançada imaginam que carnaval bom era o de antigamente. Outros, mais jovens compreendem que este é o melhor jeito de se fazer a folia.
O que diferencia um do outro? Quais as influências midiáticas perpassam cada momento? Não teriam ambas o mesmo cenário de irreverência e rebeldia utilizando as linguagens de seu tempo? O duplo sentido das músicas sempre estiveram presentes não? O apelo à sensualidade/sexualidade não sempre esteve atrelado evento momino? Estas são algumas perguntas que respondidas podem nos ajudar nas explicações a este claro conflito de gerações que há no debate sobre as músicas, formas e modelos de se divertir.
Nesta discussão alguns defendem o carnaval a partir dos blocos de rua.
Também defendo. Mas compreendemos que o processo de surgimento dos blocos se inicia muito mais pela vontade das pessoas do que do poder público. Geralmente surgem de grupos de famílias, grupos de amigos, agremiações esportivas, outro tipo de associação coletiva. Busquemos a história dos mais famosos nos outros estados e cidades e veremos como tudo aconteceu...
A consolidação de um bloco carnavalesco se dá com o tempo e a persistência de seus componentes.
O papel do poder público seria então organizar a junção de diversas agremiações num desfile único. Isso a prefeitura tem feito desde o ano passado, dedicando espaço na programação e dando suporte. Então não há como falar que esta gestão não tem buscado incentivar a cultura de blocos carnavalescos. O que não poderíamos fazer era uma ruptura brusca. Até porque o número de blocos e brincantes destas agremiações ainda é pouco, diante do volume de pessoas que frequentam o carnaval da praça.
Um outro aspecto que é preciso por em pauta quando discutimos blocos é que existem diversos formatos de blocos.
Existem os blocos que utilizam bandinhas de metais puxando o bloco, outros utilizam baterias a lá escolas de samba, outros correm atrás do trio e há aqueles - como os nossos - que saem puxados por paredões de som. Ao fim todos são blocos. Ou não?
Chegamos então noutro ponto que levantou muita discussão: os paredões de som.
Sobre eles faremos outra postagem.